Crítica: Crise na Terra-X

Crítica: Crise na Terra-X

Cerca de 2 horas e 45 minutos de pura ação, momentos de emoção, roteiro bem trabalhado e muitos – muitos mesmo – heróis e vilões dividindo a tela no primeiro “verdadeiro” Mega crossover das séries da DC no canal The CW, reunindo Supergirl, Arrow, The Flash e Legends of Tomorrow contra invasores da Terra-X, uma realidade alternativa onde os nazistas venceram e comandam.

O texto a seguir é uma crítica referente ao crossover Crise na Terra-X (Crisis on Earth-C), que corresponde aos episódios 3×08 de Supergirl, 6×08 de Arrow, 4×08 de The Flash e 3×08 de Legends of Tomorrow. Se você ainda não assistiu, já puxa o freio de mão que vem spoiler daqui pra baixo.

A gente pode dizer que esse foi o primeiro crossover a envolver de fato as 4 séries, pois no ano passado, embora nossa Kara/Supergirl tenha aparecido bastante, a história não começou de fato em sua série, sendo só uma pequena aparição de Cisco e Barry no final de um episódio totalmente desnecessário para seguir os acontecimentos.

Dessa vez, vemos algo diferente. Kara e sua irmã são convidadas para o casamento do ano, na Terra-1, onde Barry e Iris sacramentarão uma das mais belas e românticas uniões dos quadrinhos. Ok, você pode até não gostar dessa Iris de Candice Patton, mas o romantismo de West-Allen é uma das mais importantes e meigas do Universo DC. E cara, que discurso do Joe.

Basicamente, é disso que se trata o começo do episódio: temos uma recordação do quão os personagens Barry e Iris são perfeitos juntos, além de que o casal “Olicity” também é um dos preferidos dos produtores, mesmo que não faça sentido com os quadrinhos.

Foi uma sensação agridoce ver Oliver pedir Felicity em casamento no jantar de ensaio de Barry e ser recusado em voz alta pela moça. Digo isso pois definitivamente não temos aquele “Oliver limpador da cidade”, ele está se abrindo a relacionamento, mas isso não é de todo bom, porém fica mais clara também a influência de Barry em sua vida.

Outro momento a se guardar do lado esquerdo do peito e fingir que algo caiu no olho é quando Kara canta a música que Barry pediu Iris em casamento. Que cena, amigos.

As partes centrais do episódio, com o casamento interrompido de Barry e Iris poderiam ter um grau maior de mistério se não fossem as imagens vazadas e um pouco de obviedade de que aquelas seriam as contrapartes dos heróis em outra Terra.

Ainda assim, alguns personagens nessas partes ficaram de escanteio ou com ausência não explicada. Claro, é totalmente compreensível não colocar todo o bando na treta na primeira noite do crossover, mas Wally voltou a ter seu momento “estou aqui mas não sirvo para nada”, além de Ralph nem ao menos ser mencionado e algumas Lendas estarem perdidas em alguma época através do tempo.

Além de toda a tensão, temos a conhecida comédia e piadas em timing perfeito, seja durante as cenas iniciais, com cada equipe lutando contra os inimigos, Sara dando em cima de Alex (e conseguindo), Stein alterando o soro para que Jax fique grudento e muitas outras.

O episódio se desenrola mais na parte central, embora algumas cenas tenham sido colocadas apenas para um tom a mais de mistério e falta de planejamento dos “bonzinhos”. A cena em que só os três principais das séries enfrentam sozinhos seus sósias + O Reverso daquela terra foi um exemplo de plano mal executado para minar a nova ameaça. Eles achavam mesmo que era só pedir pra sair? Mas claro, novamente temos que lembrar que estamos num crossover de 4 episódios, então é justificável.

A motivação de toda invasão ser dita no final da primeira noite de crossover, assim como todo o perigo que Felicity e Iris correm sozinhas no Star Labs e os heróis jogados na Terra-X foi uma ótima sacada, jogada no momento certo para que o público ficasse curioso em ver como terminaria a história na segunda noite. E assim, temos o desaparecimento de alguns personagens que estavam presentes na primeira parte, como a Família West (exceção de Iris) e a inclusão de novos, como a volta de Snart, em sua versão Terra-X, o Leo/Cidadão Frio. Aqui também temos a inclusão do restante das lendas.

A parte final vem como qualquer grande roteiro de blockbuster de heróis no cinema. E isso faz com que os produtores e roteiristas desse evento ganhem mais um ponto. Conseguiram colocar tudo isso na telinha com maestria. Os pontos de atuação também devem ser mencionados com Tom Cavanagh voltando a ser brilhantemente Eobard Thawne e Paul Blackthorne sendo o Nazista Lance.

É também nessa parte que somos obrigados a nos despedir de um grande personagem. Dr. Martin Stein, em sua tentativa de ajudar a salvar a galera da Terra-1, acaba levando tiros e mesmo que Jax o tente salvar se fundindo ao Grisalho, já tínhamos o prenúncio do que aconteceria. Como já anunciado há alguns dias, Victor Garber já havia solicitado a sua saída do Arrowverse e o crossover sacramentou. Hora de mais um momento de cisco (não é o personagem) no olho e a despedida dolorosa do querido coroa.

Claro que os episódios não foram perfeitos, as Aventuras de Iris e Felicity são apenas cenas para preencher o episódio, assim como todas as tentativas de convencer Winn a dar tempo para que a galera volte. Tempo que poderia ser utilizado para aumentar o grande embate final do crossover.

Entendemos que colocar tudo aquilo de herói e vilão numa tela é complicado, mas a derradeira batalha não dura nem mesmo 10 minutos e solucionado rapidamente: A Overgirl explode numa supernova, Oliver da Terra-1 mata sua versão Dark Arrow com uma flecha no peito e Barry deixa o Dark Flash ir embora. Tudo também para caber no finzinho do episódio o casamento duplo.

Com essas ressalvas, o crossover tem nota 7. Talvez garantisse uma nota melhor se houvesse um pouco mais de tempo com a luta final e retirando algumas cenas de encher linguiça. As atuações foram boas de uma boa parte do elenco e é prazeroso assistir os episódios separadamente ou de uma vez. Além disso, não é necessário acompanhar todas as séries para saber quem é quem. Embora que alguns acontecimentos irão ter reflexos em suas séries, pode ser considerado até um filme à parte, preparando o território para mais aventuras das equipes nos próximos anos e também deixando a brecha no roteiro para os episódios da semana seguinte que serão um “finale” de meio de temporada.

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