Crítica: Elseworlds

Crítica: Elseworlds

No crossover anual das séries da DC no canal The CW, somos apresentados a novas realidades envolvendo The Flash, Arrow e Supergirl, além de apresentar oficialmente Batwoman e nos presentear com nostalgia, muitos efeitos e o anúncio do próximo grande crossover.

Caso você não tenha assistido aos episódios, sugiro que pare agora e comece a ver, pois vale a pena. O crossover inicia em The Flash, passa pela série do Arqueiro e termina com Supergirl. Todas as séries, aliás, entram em um hiato de fim de ano e retornam apenas em janeiro.

The Flash: 5×09 – Elseworlds, Part 1

Começamos o grande crossover do ano em The Flash, com a repetição da cena final do 100º episódio, que foi ao ar na terça-feira da semana passada. Relembramos os fatos que iniciaram a junção dos maiores heróis da DC na TV. Com o Flash da série dos anos 90, temos o pontapé inicial para alguns momentos de nostalgia, que permearam boa parte do primeiro episódio de Elseworlds. Para o Tio Du, o primeiro episódio foi o melhor dos três.

Com um foco maior nas referências, o fan service é muito bem atendido nessa primeira parte. Após um começo necessariamente básico com a apresentação simples do vilão do crossover, vemos quem está por trás de tudo e um pouco de suas intenções. Nos quadrinhos, o Monitor não é um vilão. O Anti-Monitor que sim, mas vou falar disso mais pra frente.

O Monitor entrega o livro que altera a realidade para o Dr. John Deegan, que a princípio, “pensa pequeno” e altera apenas algumas partes da realidade. Assim, temos Oliver Queen sendo o Flash e Barry Allen sendo o Arqueiro. As cenas iniciais da troca, por mais que muitos já tenham visto antes pelos teasers e sneak peeks, foram muito bem montadas e trouxeram uma comédia que faz falta em alguns momentos de Flash. Mesmo parte de um crossover, o primeiro episódio dos três era essencialmente do Velocista. Me peguei por muitos momentos dando risadas e ficando eufórico. Foi algo que senti mais nessa primeira parte do que nas demais.

Foram engraçadas as cenas de quando Oliver percebe quem é e imediatamente pensa que Barry fez algo de errado (pra variar). Seguindo o ritmo um pouco mais acelerado – trocadilho intencional -, o Arqueiro consegue entender com certa facilidade como usar os poderes. É interessante notar que nos primeiros momentos de atuação como velocista, Oliver consegue utilizar o “Flash Time” quando bandidos atiram nele, além de lançar raios, mesmo que tenha sido totalmente desengonçado e que tenha acionado A.M.A.Z.O.

Quando a dupla Oliver-Barry/Barry-Oliver se encontra finalmente, o humor toma lugar novamente, com um Barry Arqueiro achando engraçada muita situação até a hora que descobre que o Flash Oliver acordou em sua cama. Aqui, toda a vibe do Cicada e o ritmo da temporada atual são claramente deixados de lado, sendo evidenciado que, embora tenha seguido a linha do tempo padrão das séries, ainda era um evento.

Após o Time Flash desconfiar da troca e tudo que envolve a prisão da dupla no Star Labs, temos finalmente um furo de roteiro corrigido: Há banheiro nas pequenas celas! Além disso, temos mais humor quando Barry desloca seu dedo para escapar das algemas, uma maior visualização da experiência de Oliver ao conseguir atravessar o vidro da cela segundos depois de aprender como faz e uma pequena dose de drama, bem dosada para que Iris permitisse que os dois fossem para a Terra de Supergirl.

E cara, que cena, que momento! Ao iniciar sua viagem, temos a música de Smallville tocando, a fazenda dos Kent sendo mostrada, além de Clark e Lois daquela Terra em seu momento fofo. Confesso que parei a cena e voltei só para escutar de novo. Como a Supergirl reconhece que eles estão trocados, temos também um momento de treinamento e o troco de Barry em Oliver ao acertar flechas no amigo após quatro anos de espera. Enquanto eu dava risada, Oliver ficava pistola e falhava miseravelmente em tentar deixar Barry nervoso e acertá-lo.

Voltando à Terra-1, com Superman e Supergirl, o inimigo que aparece em Central City é A.M.A.Z.O. Nos quadrinhos e no desenho da Liga da Justiça, o andróide foi muito mais que na série. Porém, não era sobre o Latino dos super-heróis que o crossover tratava. Ainda assim, tivemos ótimas doses de efeitos especiais, com grandiosos momentos de luta entre os quatro heróis e Amazo. Muito bom ver Oliver sendo o Flash e Barry sendo o Arqueiro nas cenas que eles finalmente conseguem neutralizar a ameaça.

Amazo, você falhou com essa cidade.

Após Cisco ter algumas visões que envolvem o Monitor, ele finalmente acredita na dupla e os três têm as primeiras visualizações do que vinha à frente: É hora de ir à Gotham City.

Arrow: 7×09 – Elseworlds, Part 2

Ainda trocados, Barry e Oliver, acompanhados da Supergirl, rumam à cidade de Gotham. Chegando lá, temos a visualização do perigo do local na ausência do Batman, fato que os produtores confirmaram após o episódio, de que o tom da nova série Batwoman será bem mais sombrio.

O tom de humor presente em Flash muda um pouco devido ao tom diferente de Arrow. O que combina, pois a série que iniciou este Multiverso da DC na TV iniciou sua trajetória de forma mais pesada. Como o foco desta parte do crossover era em Star City e Gotham City, fez sentido o teor. Ainda assim, temos ainda seus momentos de graça, como Diggle vomitando novamente após ser levado pelo Oliver-Flash e os momentos em que a equipe do Arqueiro tenta definir o que aquela mudança poderia ter como referência no cinema e ao esconder o fato de Felicity.

Esta, que foi a escolhida para tomar Draminha nesta parte arqueira do crossover. Mesmo que muitos fãs achem desnecessários esses momentos, Arrow precisava ter sua dosagem também no evento do ano. Foi um pouco a mais que Barry-Iris, talvez, mas isso não foi negativo para a história em si.

O grande ponto positivo foi na apresentação oficial da nova heroína da DC na TV. Após pagar a fiança da “Trindade televisiva”, eles são convidados à Torre Wayne, onde conhecem o alter-ego da Batwoman, Kate Kane, curiosamente colocada como prima de Bruce Wayne. Segundo os produtores, eles foram autorizados a mencionar o Batman no crossover e na nova série, mas não colocá-lo, pelo menos no momento. Afinal, Gotham já está acabando mesmo… As referências não param por aí e Kara faz uma conexão até mesmo com Batman vs. Superman, ao mencionar que seu primo e Bruce são “iniamigos”.

O grupo vai até o Asilo Arkham e conseguem chegar ao Dr. John Deegan finalmente. Após uma boa sequência de Caitlin/Killer Frost seguida de algumas lutas contra os internados do asilo, o time finalmente consegue a posse do livro que altera a realidade. Porém, trancado, eles não conseguem fazer muita coisa e o Monitor recupera o artefato e devolve a Deegan. Mais uma parte do teste.

Correndo atrás do livro, Barry Allen da Terra-90, aparece para todos e faz uma nova referência aos quadrinhos, ao olhar para John Diggle e achar que ele era o Lanterna Verde. Os produtores também confirmaram que esse tema será recolocado em pauta futuramente.

Olá, John. Você não está usando seu anel. As coisas devem ser diferentes por aqui.

Após explicar quem é o vilão da vez e o que Novu está fazendo com diferentes terras pelo Multiverso, Supergirl, Oliver-Flash, Flash dos anos 90 e Barry-Arqueiro vão ao encontro do Monitor. Aqui encerra facilmente a participação de John Wesley Shipp revivendo seu personagem antigo.

Com o livro sob posse novamente de John Deegan, um novo problema surge: Pensando grande, Barry e Oliver voltam ao “normal”, mas agora são novos personagens em uma inteira nova realidade.

Supergirl: 4×09 – Elseworlds, Part 3

A terceira parte do crossover mostra que Barry e Oliver voltam a ser Barry e Oliver, mas agora são conhecidos como os Trigger Twins. Mais uma ótima referência aos quadrinhos e que mostra mais ainda sobre a ótima dinâmica que Stephen Amell e Grant Gustin possuem. O grande problema é que eles não possuem poderes e um Superman de roupa preta aparece para eles. Trata-se de John Deegan em sua nova versão nesta realidade.

Com essa mudança radical e o teor de fantasia muito maior, considero que o nível do episódio de Supergirl no evento Elseworlds foi mantido ao de Arrow. Lembrando novamente que, ainda que com o mesmo plano de fundo, estamos no terreno da série de Kara. Ainda assim, é importante ressaltar que o foco continua sendo em Barry e Oliver e Central City.

O ritmo de fantasia pode ser percebido no modo que essa nova realidade foi criada, além de um momento sob efeito de alucinógenos, onde Barry e Oliver acham o Monitor ao abrir uma porta e entrarem em uma dimensão aleatória. Ar de fantasia também é notado quando os “Gêmeos Gatilho” são recebidos no bar barra pesada de Central City como extremamente perigosos e Cisco é, nesta realidade, o Sr. Ramon.

Foi legal ver que o Star Labs foi modificado à maneira que John Deegan bem entendeu, com seu próprio visual à la Exército do Superman, com Alex e Caitlin trabalhando como uma das seguranças desta realidade. O que ganhou prêmio de obviedade, mas ainda assim de humor, foi que após Kara convencer sua irmã – que não era sua irmã – a ser liberada da cela no Star Labs, ficou fácil localizar o livro na “Fortaleza da Solidão” desta realidade.

Fortaleza da Solidão? Mas a gente acabou de voltar de lá…

Esta não é a Fortaleza da Solidão, é o Cofre do Tempo.

Assim, entramos no desfecho do grandioso crossover. Como Kara não consegue abrir o livro, ela leva até o Superman (o original, de sua Terra), o qual consegue, mesmo que por alguns momentos, devolver a realidade de volta ao normal. Porém, John consegue pegar o Flash e ameaça quebrar seu pescoço (General Zod mandou lembranças). Diante disso, Oliver está com uma flecha com aparente Kryptonita pronta para acertar o vilão, mas Barry o faz lembrar de sua bondade e o arqueiro deixa por isso mesmo.

Barry então tem a ideia de diminuir a passagem de tempo para tentar parar Deegan. Porém, segundo Clark, ao fazer isso, os dois morreriam. É nesta sequência de cena que temos as melhores partes no capítulo de Supergirl no crossover. Enquanto Barry e Kara estão rodando o mundo, Oliver vai até Novu pedir para que seja dada uma nova chance para essa Terra. Perto de sumirem da existência, Oliver consegue caminhar pelo tempo e atingir uma flecha especial no livro e acaba com toda a várzea criada.

Com tudo no seu devido lugar, é hora da equipe da Terra-38 voltar para casa e Cisco escolher seu kryptoniano favorito – Kara. Além de haver o rápido diálogo em que eles mencionam que “todo ano vai ser assim”, a dupla inicial do Arrowverso vai ao bar para tomar aquela saideira do crossover. Após a negativa de um novo abraço entre os dois, a Batwoman liga para Oliver informando que vem mais por aí: Simplesmente teremos a adaptação da mais conhecida Crise dos quadrinhos da DC. Em 2019, vem Crise nas Infinitas Terras.

Com o grande hype que os teasers traziam nos últimos dias, além de diversas fotos de bastidores e curiosidade, Elseworlds trouxe de tudo em seus capítulos. Com efeitos incríveis, nostalgia, referências, Batwoman, lutas, risadas e muito mais, a gente já fica curioso pelo que vem por aí. Saldo negativo apenas pela falta de Legends of Tomorrow, que explicou em seu episódio de crossover-com-a-própria-série, o que aconteceu:

Avaliando individualmente, o Tio Du considera que o episódio de The Flash foi o melhor das três partes de Elseworlds. Mesmo que eu seja mais fã do Velocista do que dos demais heróis e suas séries, coube ao meta-humano de Central City e sua equipe uma boa parte da diversão do crossover, além de tocar “Somebody Save Me”, ter vários momentos de luta incrível e tudo mais. Nota 9 para esse episódio, que manteve alto o nível após o 100º episódio, exibido na semana passada

The Flash – 5×09:

Já Arrow derrubou um pouco a emoção do crossover, mas ainda assim mantendo um bom nível, em especial pelas menções ao Batman e Gotham City, ao nível bom do humor, ainda que seja um território um pouco mais sombrio, além de apresentar a Batwoman. Para isso, avalio como nota 8. Poderiam utilizar um pouco menos do cansativo miolo entre Felicity e Oliver, mas isso até dá pra acostumar.

Arrow – 7×09:

Finalizando o crossover, Supergirl manteve o nível de Arrow e, embora tenha aumentado o setor de fantasia, utilizou mesmo que por pouco tempo, outros personagens como Brainiac-5 e Caçador de Marte. Por ser o momento de conclusão, não analiso como grande perda de pontos a rápida participação dos personagens, assim como uma nova aparição inútil de Amazo. Considero também nota 8, principalmente pelo fato da temática de Supergirl ser levemente diferente e a cumplicidade dos heróis é muito bem vista.

Supergirl – 4×09:

De modo geral, Elseworlds serviu não somente como a união anual do super-heróis da DC, mas também como uma introdução para a Crise nas Infinitas Terras que virá mais cedo que imaginávamos (Já que uma crise iminente em The Flash só apareceria em 2024). Resta saber apenas se as outras séries da DC serão utilizadas, lembrando que no próximo ano poderia ser o maior da história, com 6 séries no total – Arrow, The Flash, Supergirl, Legends of Tomorrow, Black Lightning e Batwoman -, já que, teoricamente, a Crise serviria para unir mundos e finalmente colocar os heróis na mesma Terra. Na avaliação do todo, Elseworlds garante sua nota 8, com o claro destaque para The Flash como melhor das três partes.

Agora, as séries entram em hiato de final de ano e retornam apenas em janeiro. Não se perca no calendário: The Flash volta primeiro, no dia 15 de janeiro, com o episódio “Spin Out”; Supergirl volta em 20 de janeiro, com seu décimo episódio, ainda sem título; Arrow volta logo na sequência, no dia 21 de janeiro, com o episódio “Shattered Lives”.

E você? O que achou do crossover? O que mais gostou, o que não gostou e o que espera do futuro da DC na TV? Comente. 🙂

 

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