Crítica: Deadpool 2

Crítica: Deadpool 2

Deadpool 2 chegou aos cinemas no último dia 17 de maio, cercado de um leve problema em território nacional devido à classificação indicativa do filme. A película de David Leitch vem para continuar a história do Mercenário Tagarela, dois anos após sua estreia (em filme solo). Saí com a sensação de não saber exatamente se era uma adaptação do Twitter de Ryan Reynolds (@VancityReynolds) ou se o Twitter dele é marketeiro igual, sendo uma extensão de seu personagem no cinema.

Deadpool 2
Ano: 2018
Direção: David Leicht
Estreia: 17 de maio de 2018 (BR)
Classificação: 16 anos
Duração: 120 minutos

Esta crítica está sendo postada sem um enorme spoiler do filme, mas uma ou outra informação a mais pode ser solta “sem querer”, igual a alguns tiros acidentais que Deadpool acaba levando. Isso não é spoiler, está no trailer. A sinopse oficial do filme conta também sobre alguns fatores importantes apresentados. Embora seja um filme 95% humor, há sim uma carga dramática e, de seu próprio jeito desmiolado, há um grande impacto de amizade, família e o que significa ser herói.

Porém, sabemos muito bem que Deadpool não é bem um herói, já que mesmo estando no grupo dos mutantes e não sendo totalmente mal, ele também não está no grupinho do Professor Xavier. Com seu humor ácido e em boas partes exagerado e um pouco pastelão, Deadpool 2 nos apresenta uma continuação do que assistimos há dois anos. Isto é, embora alguns elementos não sejam continuações diretas, os dois filmes poderiam ser assistidos em sequência, com uma leve diferença entre ambos. Isso também não quer dizer que é ruim.

As ações promocionais da equipe de marketing foram tão bem boladas quanto as piadas ácidas, com exceção dos palavrões que estão em uma grande quantidade durante todo o filme. Assim como os trailers e comerciais, a quebra da quarta parede, as zoações com a DC, a própria Marvel e até mesmo com Ryan Reynolds são pontos muito positivos e muito bem colocados no filme.

Tão sombrio… Tem certeza de que você não é do Universo DC?

Além do humor ácido de sempre, outro fator colocado com uma quantidade grande é o sangue. Era de se esperar com uma indicação etária que inicialmente era de 16 anos, foi alterado no Brasil para 18 e depois retornou para 16. Mesmo nessas cenas, Deadpool 2 não se leva a sério e visa sempre as risadas. Temos como exemplo disso uma clara carga de drama antes ainda dos créditos iniciais (novamente com tiradas com nomes de diretor, roteirista, etc.), que serve também para a inspiração do anti-herói.

É com esse início incomum que Deadpool visita a Mansão dos X-Men e encaminha o protagonista ao encontro de Russell (Julian Dennisson) e, posteriormente, Cable, um viajante no tempo com a missão de finalizar o garoto, numa missão que nos remete a referenciar O Exterminador do Futuro. Vale apontar aqui que a história por trás do personagem de Josh “Thanos” Brolin não é intimamente colocada na tela, não fazendo-se necessário também. Tudo que é apresentado sobre o personagem do futuro está de acordo com o que precisava ser visto.

A formação da X-Force também não é aprofundada, mas garante o tempo suficiente de tela à equipe e suas respectivas piadas. Dominó e os demais membros do time nos garantem a dose de risada que foram contratados (ou selecionados via Linkedin). Isso nos deixa com a clara visão de que o filme está dividido em histórias separadas de um modo geral, mas unida com o mesmo plano de fundo e Ryan Reynolds, que sabe muito bem como utilizar seu holofote.

Falando sobre os efeitos, o trailer deixa clara a informação de que todo o orçamento de CGI foi utilizado no braço de Cable e eles provavelmente estavam falando sério. Os efeitos deste personagem em específico foram todas bem feitas, mas as – poucas – cenas adicionais que precisaram também do recurso, parecem ser feitas preguiçosamente, como no personagem de Colossus.

Como comecei a colocar alguns defeitos no filme, aproveito para dizer que Deadpool 2 poderia ter um tempo menor. Sempre é bom dar umas boas risadas no cinema, mas um ou outro deslize do diretor nas cenas de ação mal exploradas nos faz pensar que algumas piadas poderiam ser deixadas de lado, sem forçar muito o ritmo pastelão. Por esses pequenos motivos, o filme fica um pouco cansativo para o gênero que oferece.

O Tio Du avalia o filme como nota 7. Se você está procurando por um filme para dar várias risadas e ter vislumbres de drama, é uma boa pedida. Além disso, Deadpool 2 conta com uma grande quantidade de referências e tiradas com o próprio roteiro, os próprios personagens e seus atores e com a própria casa. Ainda assim, algumas piadas são previsíveis em um padrão de Sessão da Tarde, sendo algumas causadoras de risos de tão bobo. Não espere por um filme intencionalmente épico. Ele vem para entregar o que o trailer, os comerciais e o Twitter de Ryan Reynolds nos ofereceu nos últimos dois anos.

Serviço de utilidade pública: O filme possui cenas pós-créditos. Contudo, não há nenhuma cena após todo o final dos créditos (aqueles que vem depois das músicas tocadas no filme, os logos da cidade onde gravaram, logo do estúdio e tudo mais).

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