Crítica: Um Lugar Silencioso

Crítica: Um Lugar Silencioso

O filme não pode ser considerado tanto um terror. Vemos aqui mais um filme no estilo de suspense com altas doses de susto em algumas cenas e um roteiro que muitas vezes nos lembra de filmes como Cloverfield (o primeiro, sem ser aquela brisa forçada da Netflix) e Quarentena.

Assisti a versão dublada do filme, mas os primeiros 30 a 40 minutos de filme nos faz pensar que, mesmo na sessão dublada, estamos assistindo a legendada. Como a temática do filme é não fazer barulho, ele se baseia em grande parte a linguagem de sinais e os sons se resumem à trilha sonora muito bem utilizada – inclusive em cenas de tensão – e aos barulhos da natureza e passos dos personagens.

A partir desse ponto, se você não assistiu o filme ainda e não quer spoiler, sugiro ler outro artigo ou notícia no site ou comprar um ingresso. Alerta dado.

Um Lugar Silencioso (A Quiet Place)
Ano: 2018
Direção: John Krasinski
Estreia: 5 de abril de 2018 (BR)
Classificação: 12 anos
Duração: 90 minutos

E é nessa pegada de não fazer barulho – mais explícita impossível, considerando o título – que vemos o resultado de um simples brinquedo fazendo barulho: morte. Simples e pura morte.

Um dos pontos a elogiar no filme é que o mesmo não se prende muito no motivo de haver um monstro que come humanos sem dó nem piedade. Não existem cenas que passam uma prévia dos acontecimentos. São poucas, mas suficientes, as cenas em que o que precisamos saber do tal monstro são mostradas em recortes de jornais ou na lousa que o personagem do Jim, de The Office, escreveu. E isso é suficiente.

As sequências em silêncio com linguagem de sinais podem fazer com que os espectadores se incomodem com uma coisa: os barulhos dos outros espectadores comendo pipoca e se mexendo nas poltronas. A ação mesmo, com o corre-corre e mais tensão demoram a ser iniciados, para justificar também os 90 minutos de filme.

Quando é iniciado também, temos vários momentos que nos seguramos pensando ser parte do elenco de apenas 4 personagens principais e 3 outros com participação. Sim, o elenco todo possui apenas 7 pessoas. Não é ruim, deixa aberta a possibilidade remota de uma continuação ocorrer. Só que com outras pessoas e outro local que só mencione vagamente a história deste (vide Cloverfield, Quarentena, Temos Vagas, entre outros).

É possível sentir a agonia ao ver um pé enfiado num prego, as crianças se afundando no silo de milho e muitas cenas muito bem trabalhadas, no filme que foi dirigido pelo próprio John Krasinski. O ator fez um belo trabalho na direção do longa, que teve Michael Bay como produtor. Mas, como mencionei, o filme está mais perto do suspense do que do terror. Claro que o roteiro bem trabalhado nos coloca nas situações que mencionei antes, em que a gente se sente parte do grupo e quer fugir junto com eles.

A adição de um futuro nascimento de um bebê também nos deixa tentando adivinhas as soluções para o momento em que é dada a luz à criança, que irá chorar sem controle. Como farão? O que vai acontecer. E é nessa situação que cenas como a saída de pai e filho no rio e cachoeira que dão algumas dessas dicas: o barulho maior disfarça um outro ou chama a atenção do monstro (mesmo que a gente já tenha aprendido isso com The Walking Dead).

O único problema – para o grupo e não para o espectador – foi que o ponto fraco do monstro, que acaba sendo um tipo de microfonia com o aparelho de surdez da personagem Regan Abbott, foi descoberto somente depois que o patriarca da família precisa se sacrificar para cumprir a promessa de manter os filhos a salvo. Quando a garota finalmente percebe que foi seu novo aparelho, criado pelo pai, que enfraquece o monstro, já estamos nas últimas cenas do filme, que acaba muito bem, sem mostrar o ponto final, mas deixando as reticências que nos levam a entender que tudo será resolvido para que a família fique a salvo.

O Tio Du avalia o filme como nota 8. Alguns detalhes menores como a falta de um elenco maior ou que dê a entender que isso seria possível é um pouco ruim. Outro fator importante é que, pelo que oferece no trailer, o filme poderia ser mais longo, com mais cenas de um legítimo terror e menos suspense regado a sustos. O roteiro foi bem feito, mesmo que quase todo o filme possua a linguagem de sinais – que não deixa de precisar ser roteirizada – e a trilha sonora também foi bem montada por Marco Beltrami. Não há muito o que se falar das atuações, que só tiveram de ponto negativo essa necessidade de fazer sinal de silêncio em uma história que já está bem clara que é pra todo mundo ficar quieto. E por último, palmas para a direção de John Krasinski.

 

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