Paramount vende operação da UCI no Brasil para Cine Araújo e Cineart

Paramount vende operação da UCI no Brasil para Cine Araújo e Cineart

A aquisição amplia a presença das redes brasileiras, mas terá de passar por análise do Cade.

A Paramount Skydance vendeu a operação da rede de cinemas UCI no Brasil para a Cine Araújo e a Cineart. As duas empresas criaram uma joint venture, a Cia Brasileira de Cinemas, para assumir 100% da UCI Brasil e da UCI Ribeiro.

O negócio envolve 25 complexos e mais de 200 salas de cinema distribuídos por 11 estados brasileiros. Entre eles estão São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Pernambuco, Ceará, Amazonas e Minas Gerais.

A transação representa uma mudança importante no mercado de exibição cinematográfica do país. Afinal, a Cine Araújo ganhará escala nacional e ficará à frente de redes como Cinesystem e Kinoplex em número de salas. Com a aquisição, o grupo formado pelas empresas chegará a 432 salas de cinema no Brasil. Dessa forma, ficará atrás apenas da Cinemark e da Cinépolis no ranking nacional por quantidade de salas.

Cine Araújo e Cineart ampliam atuação

A Cine Araújo, com sede em Botucatu, no interior de São Paulo, atualmente administra 29 complexos em dez estados. A rede possui forte presença em cidades fora das capitais, como Volta Redonda, Cabo Frio, Campinas e Londrina. Já a Cineart mantém 12 unidades, todas em Minas Gerais. A compra da UCI, portanto, permitirá que a empresa amplie sua atuação para outras regiões do país.

Entre os novos mercados estão cidades como Recife, Fortaleza, Belém e Juiz de Fora. Em conjunto, Cine Araújo, Cineart e UCI passam a reunir 66 complexos. Apesar da união para a aquisição, as empresas afirmam que continuarão administrando de forma independente os cinemas que já operam com suas respectivas marcas.

O valor da negociação não foi divulgado na versão pública do processo apresentado ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A vendedora formal da operação é a HLE Entertainment, anteriormente chamada NAI Entertainment Holdings. A companhia fazia parte da estrutura ligada à família Redstone, antiga controladora da Paramount.

A operação ocorre durante a reorganização da Paramount

A venda acontece enquanto a Paramount tenta avançar em sua fusão com a Warner Bros. A existência da UCI dentro da estrutura da empresa gerava críticas entre exibidores brasileiros. O setor argumentava que uma eventual companhia combinada poderia controlar mais de 30% do mercado nacional de distribuição de filmes. Além disso, a Paramount também mantinha uma rede própria de cinemas no país.

Com a venda da UCI, essa estrutura deixa de fazer parte dos negócios da companhia no Brasil.

Mercado de cinema enfrenta queda no público

A aquisição também ocorre em um momento de transformação no setor cinematográfico brasileiro. Em 2025, o país encerrou o ano com 3.544 salas de cinema, o maior número já registrado. O total superou as 3.510 salas existentes em 2024 e também ultrapassou o recorde anterior à pandemia. Entretanto, o crescimento do número de salas não trouxe uma recuperação equivalente no público.

Em 2025, os cinemas brasileiros venderam 112,8 milhões de ingressos. O número representa uma queda de 10% em relação ao ano anterior. Além disso, o resultado permanece distante de 2019. Antes da pandemia, o mercado havia registrado 177,7 milhões de espectadores. A bilheteria também recuou. Em 2025, a arrecadação chegou a R$ 2,3 bilhões, contra R$ 2,49 bilhões em 2024.

Segundo avaliações da Ancine, o mercado pode estar encontrando um novo patamar de frequência. A mudança nos hábitos do público, o crescimento do streaming e a redução da janela entre os cinemas e as plataformas digitais influenciam esse cenário.

Compra da UCI será analisada pelo Cade

Apesar dos benefícios de escala para as compradoras, a operação ainda precisa passar pela análise do Cade. O principal ponto de atenção está em Manaus. A UCI possui dois cinemas na cidade, localizados nos shoppings Manauara e Sumaúma Park. Enquanto isso, a Cine Araújo mantém uma unidade no Manaus ViaNorte.

Considerando os dados de 2025 apresentados ao órgão, as empresas teriam entre 50% e 60% da receita de bilheteria de Manaus após a operação. Pelo número de salas, a participação conjunta ficaria entre 30% e 40%. As companhias defendem, porém, que a concorrência continuará forte. Entre os concorrentes citados estão Cinépolis, Kinoplex, Centerplex e Cine Casarão.

As empresas também destacam a elevada capacidade ociosa das salas. Além disso, apontam a concorrência de outras formas de entretenimento, especialmente os serviços de streaming. Em São Paulo, por outro lado, o impacto seria menor. A Cine Araújo possui uma unidade na região, enquanto a UCI conta com quatro. A participação combinada ficaria abaixo de 20%.

Por isso, as compradoras pediram a aprovação da operação sem restrições. Agora, o Cade terá de avaliar se a consolidação fortalece a presença de redes nacionais ou reduz a concorrência em mercados específicos. A decisão será especialmente relevante para Manaus, onde a concentração de salas e de receita de bilheteria ganhou destaque no processo.

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