Cade aprova fusão entre Paramount e Warner no Brasil

Cade aprova fusão entre Paramount e Warner no Brasil

União cria gigante do entretenimento, mas ainda depende de etapa final e aval internacional.

A fusão entre Paramount Skydance e Warner Bros. Discovery avançou no Brasil. A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou o negócio sem impor restrições. Dessa forma, o órgão concluiu que a operação não prejudica a concorrência no mercado nacional.

No entanto, a decisão ainda não é definitiva. Existe um prazo legal de 15 dias para eventuais recursos ou revisão interna. Caso não haja contestação, a aprovação será automática. Portanto, a conclusão deve ocorrer até o dia 22 de julho.

O Cade analisou diversos segmentos antes de liberar a operação. Entre eles estão distribuição de filmes, streaming por assinatura, publicidade, videogames e licenciamento de propriedades intelectuais. Mesmo assim, o órgão identificou que há forte concorrência em todos esses mercados.

No setor de cinema, por exemplo, a disputa por datas de lançamento, salas de exibição e campanhas promocionais continua intensa. Grandes estúdios como Disney e Sony, além de distribuidoras independentes, seguem ativos. Por isso, o risco de domínio de mercado foi considerado baixo.

Já no streaming, a futura combinação entre HBO Max e Paramount+ chama atenção. Juntas, as plataformas se aproximam de 300 milhões de assinantes no mundo. Ainda assim, enfrentam concorrentes relevantes, como Netflix, Disney+, Globoplay, Prime Video e Apple TV+.

Durante o processo, entidades do setor exibidor tentaram participar da análise. A Feneec e a Abraplex argumentaram que a fusão poderia fortalecer o poder de negociação do novo grupo. Além disso, levantaram preocupações sobre venda casada de filmes e redução de lançamentos. Apesar disso, o Cade negou a participação formal, mas considerou os pontos levantados.

A operação foi fechada em fevereiro, após disputa com a Netflix. A empresa chegou a apresentar proposta pela Warner, mas desistiu depois que a Paramount elevou sua oferta. O acordo atual avalia a Warner em cerca de US$ 110 bilhões.

Nos Estados Unidos, o Departamento de Justiça já aprovou a transação. Segundo o órgão, a fusão pode até aumentar a concorrência no setor. Mesmo assim, ainda há pendências com outras autoridades, como a FCC e procuradores estaduais.

Além disso, reguladores do Reino Unido e da União Europeia também analisam o caso. Essas avaliações podem influenciar o cronograma global da operação.

Se tudo ocorrer como previsto, a fusão será concluída até o terceiro trimestre. O CEO da Paramount, David Ellison, mantém a meta de finalizar o acordo até 30 de setembro.

Com a união, nasce um dos maiores conglomerados de mídia do mundo. A nova empresa reunirá estúdios, canais e plataformas relevantes. Entre eles estão CBS, CNN, MTV, TNT, Cartoon Network, Nickelodeon, HBO e Paramount+.

O portfólio também inclui franquias de peso. Entre elas estão “Harry Potter”, “O Senhor dos Anéis”, “Transformers”, “Missão Impossível”, “Um Lugar Silencioso”, “Star Trek”, “Mortal Kombat” e “Invocação do Mal”. Além disso, marcas como DC Comics, “Tom & Jerry”, “Looney Tunes”, “Game of Thrones”, “Bob Esponja” e “Avatar: A Lenda de Aang” passam a integrar o mesmo grupo.

Segundo as empresas, a fusão deve ampliar investimentos em conteúdo e fortalecer a competitividade global. Ao mesmo tempo, a combinação de ativos pode gerar ganhos de escala em cinema, TV e streaming.

Sigam-me os bons: