Crítica: Coringa

Crítica: Coringa

Desconfiava-se há anos atrás que a DC/Warner falhavam ao tomar a frente de seus filmes e tesourar diversas cenas e visões dos diretores, o que fez com que os filmes fossem massacrados pela crítica, embora rentáveis. Talvez um pouco tarde para Liga da Justiça, mas no tempo certo para Aquaman, Shazam e, agora, Coringa, a Warner descobriu que entregar um filme nas mãos do diretor possa trazer sucesso e não só as cifras que o estúdio tanto quer.

Com Coringa, Todd Phillips pode sair com um sorriso no rosto (HA). Que obra de arte de 2 horas e 2 minutos que vemos nas telonas. A direção, o roteiro e as palhetas de cores são pontos muito positivos neste último lançamento da Warner Bros.

A história, aliás, é muito bem trabalhada, ao mostrar o lado sombrio do personagem de Joaquin Phoenix e seus distúrbios mentais. Mistura, na medida certa, os momentos que precisam ser colocados em evidência, junto com os momentos que você fica pensando “Meu Deus, é isso mesmo?”. Mas nada tããão violento que faça alguém sair correndo do cinema.

A escolha do período que o filme se passa (entre o final dos anos 70 e início dos anos 80) foi uma ótima escolha do diretor. Sem precisar forçar coisas muito modernas e atuais, além de conseguir colocar um Coringa sem a necessidade de ir tão a fundo no Universo da DC. O filme mistura bem drama familiar, drama próprio de Arthur Fleck, junto com a pitada de referências à Família Wayne, além de um sangue aqui e ali. Nada que vá assustar tanto o fã brasileiro, que está acostumado com filmes de terror bem mais pesado.

E o que falar da grandiosa atuação de Joaquin Phoenix. Incrível é apenas um pequeno elogio para o que o ator consegue mostrar nesse filme. É compreensível que a mídia especializada e os primeiros espectadores do filme em festivais e exibições teste tenham dito que é o grande concorrente ao Oscar. O ator entrega a vida no personagem sendo, durante as duas horas, não só o verdadeiro Arthur Fleck, mas um ótimo coringa.

Escrevendo seus nomes no Hall da DC nos Estúdios Warner, Joaquin Phoenix e Todd Phillips entregam um dos melhores filmes que a Warner/DC já fez. Novamente, isso deve-se também ao fato da Warner deixar a dupla contar a história que deveria contar. Isso tudo une-se à presença de Robert DeNiro e Zazie Beetz, fundamentais também na construção do personagem.

Coringa surpreendeu positivamente também em sua estreia, ao bater diversos recordes em seu primeiro final de semana e ser a melhor marca da Warner desde Mulher Maravilha, isso sem levar em conta que o filme, devido ao que é apresentado, ter sido limitado a maiores de 18 anos, nos Estados Unidos.

O filme apresenta a própria visão de Todd Phillips de um personagem de quadrinhos sem a necessidade de usar o padrão de filmes de super-herói. Migrando muito bem a transformação do protagonista e com a maestria de Joaquin Phoenix, Coringa é digno de uma nota 9,5, graças à singularidade e grande história. Podemos sair do cinema com a satisfação de assistir um filme forte, único, às vezes sujo, mas um dos melhores do gênero.

Coringa (Joker)

Ano: 2019

Direção: Todd Phillips

Estreia: 3 de outubro de 2019 (BR)

Classificação: 16 anos (BR) / 18 anos (EUA)

Duração: 122 minutos

Cenas pós-créditos: Não